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Sistema integrado 0-6: o que significa continuidade entre creche e educação infantil

Publicado em 19 de outubro de 2026
Sistema integrado 0-6: o que significa continuidade entre creche e educação infantil

Metade de outubro, uma terça-feira de manhã. Na seção dos pequenos da escola de educação infantil, Giulia tem três anos e um mês e não se desgruda da porta. A professora sabe que ela frequentou dois anos de creche, a trezentos metros dali. Não sabe mais nada: como ela dormia, o que a consolava, quais palavras usava para pedir ajuda. As educadoras da creche sabiam muito bem. Entre as duas estruturas, no entanto, ninguém nunca conversou.

É uma cena comum. Há quase dez anos a lei fala de um único sistema do nascimento aos seis anos. Na prática, creche e escola de educação infantil muitas vezes permanecem dois mundos próximos que não se conhecem. Neste artigo, veremos o que realmente prevê o sistema integrado 0-6, quais ferramentas foram colocadas em campo e quais gestos concretos tornam a continuidade algo mais do que uma palavra no projeto educativo.

Um sistema único, duas histórias diferentes

O decreto legislativo 13 de abril de 2017, n. 65 instituiu o sistema integrado de educação e instrução do nascimento até os seis anos. Fazem parte os serviços educativos para a infância (creches e micronidos, seções primavera, serviços integrativos) e as escolas de educação infantil estaduais e particulares.

O texto usa a palavra continuidade de forma explícita. Das creches, diz que "operam em continuidade com a escola de educação infantil". Da escola de educação infantil, que assume uma função estratégica "operando em continuidade com os serviços educativos para a infância e com o primeiro ciclo de instrução".

A dificuldade inicial é conhecida. As Diretrizes pedagógicas para o sistema integrado 0-6, adotadas com decreto ministerial 22 de novembro de 2021, n. 334, dizem claramente: serviços educativos e escolas de educação infantil tiveram histórias diferentes, quadros teóricos diferentes, percursos de formação do pessoal diferentes, práticas diferentes. Muitas vezes são geridos por sujeitos diferentes. A continuidade, portanto, não surge sozinha. Deve ser construída.

O que significa continuidade, segundo as Diretrizes pedagógicas

As Diretrizes pedagógicas descrevem a perspectiva 0-6 como um continuum feito de três coisas: referências teóricas compartilhadas, coerência do projeto educativo, escolhas intencionais compartilhadas. Não pedem que a creche se torne uma pequena escola de educação infantil, nem o contrário.

  • Continuidade não é repetição. O texto afirma que a continuidade "não coincide com a estabilidade e a repetição das experiências, mas com a mudança e o enriquecimento de situações". A criança que chega à escola de educação infantil tem direito a coisas novas, dentro de uma trajetória coerente.
  • Cada segmento permanece responsável por seu próprio traço. O currículo vertical deve valorizar "a plena responsabilidade de cada segmento" em relação aos modos de aprender próprios de cada idade. A creche não antecipa, a escola de educação infantil não recomeça do zero.

As Diretrizes distinguem então uma continuidade vertical, entre creche, escola de educação infantil e ensino fundamental, e uma horizontal, com os serviços sociais, de saúde e psicológicos e com os recursos do território, como bibliotecas, ludotecas e museus.

Uma novidade diz respeito exatamente ao lado 3-6: a partir do ano letivo 2026/27, a escola de educação infantil trabalhará com as novas Diretrizes nacionais para o currículo, adotadas com decreto ministerial 9 de dezembro de 2025, n. 221. Para uma creche que deseja dialogar com as escolas do território, conhecer a estrutura é um bom ponto de partida.

Polos para a infância e seções primavera: onde a conexão ganha forma

O decreto 65 indicou duas estruturas pensadas especialmente para manter juntos 0-3 e 3-6.

Os Polos para a infância acolhem, em um único prédio ou em edifícios próximos, mais estruturas para crianças até seis anos, "no quadro de um mesmo percurso educativo". O decreto os descreve como laboratórios permanentes de pesquisa, participação e abertura ao território, que compartilham serviços gerais, espaços coletivos e recursos profissionais. As Diretrizes pedagógicas acrescentam que seu valor vai além da partilha de espaços: um Polo funciona quando educadoras e professores se conhecem, trocam experiências e se formam juntos.

As seções primavera acolhem crianças entre 24 e 36 meses e, segundo o decreto, "favorecem a continuidade do percurso educativo do zero aos seis anos". Normalmente estão agregadas a escolas de educação infantil estaduais ou particulares ou inseridas nos Polos. As Diretrizes as definem como um laboratório de continuidade entre os dois segmentos e uma alternativa educativa à matrícula antecipada na escola de educação infantil, com um grupo menor, um ambiente pensado para o terceiro ano de vida e uma relação numérica adulto-criança mais favorável.

A difusão de Polos e seções primavera é muito diferente de território para território: a programação dos Polos cabe às Regiões, em acordo com os Escritórios escolares regionais e levando em conta as propostas dos entes locais.

A coordenação pedagógica territorial: quem mantém os fios

Entre os objetivos estratégicos do decreto 65 está a coordenação pedagógica territorial. As Diretrizes pedagógicas a descrevem como um organismo estável que reúne os coordenadores dos serviços educativos e das escolas de educação infantil de um território, estaduais, municipais, privados e particulares.

Seu trabalho, no que diz respeito à continuidade, é concreto: construir percursos entre serviços educativos e escolas de educação infantil, organizar trocas e parcerias entre estruturas públicas e privadas, propor formação comum. As Regiões a promovem, os Municípios, também em forma associada, a ativam envolvendo os gestores, que garantem a participação de seus coordenadores.

Aqui é necessário realismo: nem todos os territórios têm uma coordenação ativa, e onde existe, o envolvimento das creches privadas nem sempre é garantido. Para um coordenador, vale a pena perguntar ao seu Município se existe e como participar. Sobre o papel do coordenador dentro da estrutura, falamos em qualidade educativa e coordenador pedagógico.

As práticas que fazem a diferença

As Diretrizes pedagógicas indicam com precisão o que significa projetar em continuidade. O primeiro passo é o conhecimento mútuo entre profissionais que vêm de experiências diferentes. Depois vêm as ações:

  • Formação comum entre educadoras da creche e professores da escola de educação infantil, para compartilhar uma linguagem e um olhar sobre as crianças.
  • Visitas mútuas e observações cruzadas: o professor que passa uma manhã na creche, a educadora que acompanha o grupo dos grandes para ver a nova escola.
  • Experiências entre crianças de idades diferentes, com a presença conjunta de educadores e professores: um laboratório, uma leitura, um almoço compartilhado na primavera.
  • Transmissões de informações descritivas sobre as autonomias e as competências adquiridas e em processo de aquisição. Descritivas, não avaliativas: como a criança come, dorme, se relaciona, o que a acalma.
  • O envolvimento dos pais, que as Diretrizes consideram essencial para um pacto de corresponsabilidade. A família é o fio que passa de uma estrutura para outra.

Sobre a transmissão de informações, há uma atenção extra. Quando creche e escola são geridas por sujeitos diferentes, os dados da criança são compartilhados envolvendo a família e com uma base jurídica clara. Em caso de dúvida, é aconselhável consultar seu consultor de privacidade ou o DPO antes de definir o procedimento.

Por onde começar se sua creche não está em um Polo

A maioria das creches, especialmente as privadas, não faz parte de um Polo e não tem uma escola de educação infantil ao lado. A continuidade pode ser construída da mesma forma, com alguns passos simples.

  1. Mapeie os destinos. Para onde vão suas crianças aos três anos? Normalmente são duas ou três escolas de educação infantil. Elas são seus interlocutores.
  2. Peça uma reunião no outono, não em junho. Um primeiro contato entre a coordenadora e o responsável pela escola, para entender o que interessa saber e de que forma.
  3. Prepare um relato de passagem para cada criança, compartilhado antes com a família: poucas páginas, algumas imagens, os hábitos que contam. Se a documentação do ano já estiver reunida em um único lugar, prepará-la requer muito menos tempo.
  4. Programe uma experiência ponte na primavera: uma visita, uma festa, um livro lido juntos nas duas estruturas.
  5. Informe-se sobre a coordenação pedagógica territorial do seu Município e pergunte como participar.

Para as orientações a dar às famílias nos primeiros dias, você pode começar por este breve guia sobre inserção na escola de educação infantil.

Em resumo

O sistema integrado 0-6 nasce com o decreto 65 de 2017 e encontra sua estrutura pedagógica nas Diretrizes de 2021. Polos para a infância, seções primavera e coordenações pedagógicas territoriais são as ferramentas pensadas para manter juntos creche e escola de educação infantil. Mas a verdadeira continuidade se joga em pequenos gestos: conhecer-se, observar-se, passar informações úteis, envolver as famílias. Assim, a criança que entra na nova escola traz consigo sua história, e do outro lado alguém está pronto para ouvi-la.

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Perguntas Frequentes

O que é o sistema integrado 0-6?
É o sistema de educação e instrução do nascimento aos seis anos instituído pelo decreto legislativo 13 de abril de 2017, n. 65. Inclui creches e micronidos, seções primavera, serviços integrativos e escolas de educação infantil estaduais e particulares.
O que são os Polos para a infância?
São estruturas previstas pelo artigo 3 do decreto 65/2017 que acolhem, em um único prédio ou em edifícios próximos, serviços educativos e escolas de educação infantil para crianças até seis anos, dentro de um mesmo percurso educativo.
A que idade se frequenta a seção primavera?
As seções primavera acolhem crianças entre 24 e 36 meses. Normalmente estão agregadas a escolas de educação infantil estaduais ou particulares ou inseridas nos Polos para a infância.
Quem organiza a coordenação pedagógica territorial?
As Regiões a promovem em acordo com os Escritórios escolares regionais e os entes locais; os Municípios, também associados, a ativam envolvendo os gestores públicos e privados do território.
Continuidade significa que a creche deve antecipar a escola de educação infantil?
Não. As Diretrizes pedagógicas precisam que a continuidade não é repetição das experiências e que cada segmento permanece responsável por seu próprio traço de percurso, com os modos de aprender próprios de cada idade.

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